Tá chegando o momento de trazer a público um dos mais importantes trabalhos em que A Casa de Vidro (2010 – 2025) já se envolveu no cenário cultural brazuca: REVIRAVOLTA, álbum de MASCATE & SEUS COMETAS, fomentado pela Lei de Incentivo à Cultura de Goiânia, será lançado neste segundo semestre, inaugurando o selo A Casa de Vidro RECS; a single “Aqui”, uma parceria de Diego e Kleuber Garcez, já vem chegando aí nos streamings todos nos próximos dias, servindo como abre-alas do discaço que em breve lançaremos; gravado por Gustavo Vazquez no Rocklab, conta com Diego Mascate (voz, violão, composições) acompanhado pelos Cometas brasilienses Tarso Jones (baixo), Pepy (batera) e Beleza (gtr). Os primeiros shows de lançamento da single e do álbum estão pra começar! Saiba mais:
EDUARDO CARLI (doravante E.C.): Kleuber Garcez, a gente [aqui n’A Casa de Vidro, proponente deste projeto aprovado na Lei de Incentivo à Cultura de Goiânia] está prestes a lançar o álbum Reviravolta de Diego Mascate E Seus Cometas. Queria que você começasse falando sobre a parceria “Aqui” que integra esse álbum, qual é a história desta música, qual o significado que você vê nessa canção e como que ela integra esse álbum.

AQUI
(Diego Mascate & Kleuber Garcêz)
estar aqui
saber o valor
poder sentir
a dor e o prazer
de estar aqui
estar aqui
do lado de lá
poder estar
tele transportar
voltar aqui
aqui é meu lugar
aqui eu vim morar
aqui é onde estou
aqui, lar doce lar
(Refrão)
embora eu vá embora
de dentro para fora
aqui vai ficar
transformando o tempo interio
embora eu vá, um dia
não quero despedida
nem despedaçar
fica tudo como está
aqui
aqui perdi
também encontrei
aqui deixei
muito aprendi
fiquei aqui
aqui, tudo nada é meu
aqui moro de aluguel
aqui e lá, eu sou
daqui ninguém me tirou
(Refrão)
ESCUTAÍ:
KLEUBER GARCEZ (doravante K.G.): É, vamos nessa, né, gente? Bom, primeiro, essa foi a segunda música que o Diego fez depois de sair da UTI. Eu tava presente quando ele fez “Obrigado Vida” (canção que abre o álbum Reviravolta), a mãe dele chegou com o violão que ele tinha pedido, porque tava lá há vários dias, ansioso, e aí ele já começou a cantarolar coisas meio sem nexo – mas ali ela começou a nasce. E aí, numa outra situação, a gente tava na casa dele, e aí ele começou… Diego fala bastante, comentando sobre essa história de como era bom estar aqui, apesar do que tinha acontecido, porque na verdade a partir de agora… Falava das plantas, falava das pessoas, e aí eu comecei a fazer um riff enquanto ele falava, e anotando frases soltas, ele vai falando e anotando. E aí passamos a tarde formatando ela. Foi feita muito nesse calor do entender que estar vivo é a melhor coisa que se pode ter, né? Não importa o que aconteceu antes, porque estar vivo é a sua segunda chance na sua história. Então, “Aqui” é muito isso!
E.C. – Esse estar vivo também se conecta com o quase-ter-morrido. Como é que foi essa experiência do Diego com esse incidente em São Paulo, como que você avalia o estado psíquico e afetivo dele no momento que vocês fizeram essa canção e onde começou a nascer o Reviravolta?
K.G. – Porque isso já foi um período mais brando da história. Antes foi mais tenso… o momento todo de quando ele sumiu, e a gente ligando sem saber onde estava, e depois o traslado para Goiânia – a gente chegou a fazer um Festival chamado Dia Bonito para arrecadar uma grana, pagar remédio e outras condições. Eu acho que isso também foi muito interessante, assim, porque a gente uniu o pessoal do indie rock, da música alternativa, da MPB mais consolidada. Em dois dias a gente conseguiu trazer 16 artistas para fazer o festival, mobilizou muita gente. Diferente do resto do Brasil, que a gente vê, por exemplo, agora a história da Ângela Rorô, meio abandonada, houve um acolhimento muito grande do pessoal da música em relação ao Diego. E aí, essa quase-morte fez com que ele tivesse essa reviravolta na visão de mundo dele. E a gente acompanhou muito esse processo de perto. E no processo do disco mesmo, que a gente vem ebulindo ele há algum tempo, resultou nessa pedrada que vocês estão ouvindo agora.
E.C. – E você mencionou essa solidariedade da galera da cena goiana para levantar o Diego após esse golpe. Mas como você compreende que ele chegou a esse estado de quase-morte? A gente tem, ao que parece, algumas dificuldades de acessar os fatos sobre o que aconteceu em São Paulo, porque ele tá um pouco amnésico em relação àquela madrugada; o que você compreende que aconteceu com ele em São Paulo na noite fatídica e que foi um divisor de águas na vida desse artista?
K.G. – Quando a gente recebe algum golpe muito muito forte na cabeça tende a ter um apagamento do momento exato que isso acontece. Eu passei por isso também já, de não lembrar, de acordar no hospital e não saber o que estava acontecendo. É uma defesa do corpo sobre isso. Bom, para nós foi aterrorizante, aquela agonia, porque demorou alguns dias até a gente localizar ele. Depois foi para a UTI e a gente sabe que a UTI é o limiar da vida, né? Dali pode voltar para cá ou ir para lá, né? Então, talvez nesse momento os valores começam a consolidar, a cristalizar, e essa história da maturidade, da vida adulta, de se compreender enquanto pessoa no mundo, passa a ter outro valor. A gente vai sabendo realmente o que tem valor, o que é valoroso para a gente em relação à família, aos amigos, ao trabalho, aos nossos sonhos, nossas realizações, que poderia ter acabado ali. Na música “Aqui” tem uma frase que diz “aqui moro de aluguel”, que era uma coisa meio literal da minha parte, mas de que a gente está de passagem, né? A gente nasce, paga-se essa estadia aqui com pecados e depois vai embora. E aí deixa-se fruto, deixa-se legado, e aí eu acho que o Reviravolta é um desses frutos, um desses legados, com certeza.
E.C. – E você falou da visão de mundo do Diego, e eu percebo nesse disco que ele explora alguns conceitos meio filosóficos, meio éticos, como amor fati, como carpe diem, ou seja, dizer sim ao aqui e agora e celebrá-lo. Como que você encontra nesse álbum Reviravolta essa visão de mundo? E como você acha que ele como cancionista expressa um certo modo de estar no mundo que também envolve, digamos, uma sabedoria que ele está tentando expressar através da sua canção?
K.G. – É, esse Reviravolta é um disco de um Diego que pouca gente conhece. Talvez ele esteja se revelando para si também, né? Porque a gente acostumou com o Diego do Waldi e Redson, do Sindicato, da Pó de Ser, do Trovador Solitário, e muito calcado no folk rock e o trabalho precioso que ele tem com a palavra. Nesse disco eu senti primeiro que a produção está muito boa, é um dos discos dele mais bem produzidos e isso é um tapete estendido para o que ele queria expressar.
E, bom, voltando à sua pergunta, a gente sempre falava dessa coisa do Zen, do Gilberto Gil, né? “O melhor lugar do mundo é aqui e agora”, o Tempo Rei, essas referências de saber estar, mas compreender o todo, eu percebi isso muito forte nesse álbum. Para mim, no Reviravolta aparece muito o professor Diego, tanto nas questões filosóficas, quanto nas questões comportamentais, também a sua experiência com o Ayahuasca também eu vejo, o que de certa forma fez com que ele tivesse sabedoria, serenidade pra escolher as palavras, é um disco menos menos ansioso. E nem por isso deixa de ser um grande disco de rock. Então talvez ali tem uma coisa de lisergia que eu entendi me lembrou a fase dos Mutantes pós-Rita Lee. E umas coisas do Cidadão Instigado que a gente gosta muito também. Mas no entanto a personagem que o Diego criou é mais presente, é mais forte. A gente sabe que é o Diego Mascate que tá ali porque tem a identidade dele sobrepondo as referências, né? Mas é um olhar para o mundo, né? Um pouco setentista, mas os arranjos são muito modernos, então eu acho que é uma recolocação do rock para esse lugar que a gente tá, que é 2025, assim, tipo demarcar um território, sabe? O rock tem uma história e eu faço parte dela, bem isso.
E.C. – Você falou que você encontra um pouco o Dieguito professor, né? O Dieguito é também um pesquisador em história, ele fez um doutorado pesquisando Tom Zé, né? E ele também menciona, às vezes, que há um conceito que perpassa um pouco esse álbum, que é o de renascença, ou de renascimento, e que passa por uma espécie de prisma, onde tem um lado biográfico, pessoal, dele, né? Renascendo após ter desaparecido, ter quase morrido, e também tem uma abordagem da renascença enquanto fenômeno histórico e tal, e até uma canção muito erudita, chamada “A Virada”, que ele vai falar da recuperação do poema de Lucrécio, que é um poeta epicurista de antes de Cristo, que no fim da Idade Média é recuperado por um caçador de livros chamado Poggio. Então é um disco também intelectualmente muito arrojado, né? Como você vê essa questão do arrojo intelectual na música e no rock quando a gente tende a pensar no rock como uma coisa mais visceral e mais… digamos… até primitivista, nesse sentido meio Little Richard da coisa.
K.G. – Sim, é interessante essa pergunta porque… u sei que o que atraiu o Diego pro rock foi a palavra. Diego gosta de Bob Dylan, ouviu muito o Renato Russo, Raul Seixas, Arnaldo Antunes, essa geração 80 da música brasileira, do rock brasileiro. E as referências do rock internacional passam muito pela letra, porque ele é muito ligado à palavra. E ele é professor porque naturalmente ele seria. O Diego gosta de contar histórias e gosta de saber histórias. Esse tanto de referência que ele traz, eu acho que é muito positivo. Para tirar também esse ranço de que rock tem que ser música muito simplória. Eu acho que a gente está vivendo um momento na história da música onde as letras estão muito simplórias, em que a palavra está perdendo força, está perdendo motivação. E o Diego traz uma bagagem muito grande e coloca isso na música dele. E eu acho que vai fazer um certo sentido para as coisas
Isso é uma coisa que a gente sempre conversou muito: nunca subestimar o ouvinte. Seja uma pessoa com pouca instrução, ou seja, sei lá, magistrado, a música chega e se a pessoa que não souber vai causar uma dúvida e ela vai pesquisar e vai saber, vai engrandecer, vai aumentar o seu repertório na vida. Isso já é uma coisa muito boa, assim. Então, pra mim, é ótimo que ele faça isso.
E.C. – E você mencionou um pouco a questão do chá de ayahuasca e tal, e eu queria retomar isso num aspecto também do disco, que é… tem uma certa cosmologia lá, eu vejo, né? Quando a gente ouve uma canção como o Céu Azul, né? Parece que ele tá contemplando essa imensidão e tem músicas assim como “Redemoinho”, em que ele está contemplando essa grandiosidade cósmica né? Como é que você vê essa influência claro é de um expansor de consciência xamânico, e essa cosmologia toda que o álbum também carrega, desses planetas girando ao redor de estrelas e dessas estrelas em uma galáxia, tem um componente muito raro no rock que é cosmogônico quase, né?
K. G. – Bom, eu tive essa experiência bem antes dele E mudei minha forma de fazer música. E quando eu ouvi o disco, eu senti, principalmente nessas músicas que você falou, esse lugar mesmo de que a fantasia e a realidade, elas se entrelaçam ali, e elas podem contar uma história e ser a mesma história. Então, por exemplo, no “Céu Azul”, ele fala das possibilidades, mas ele sabe que é a cor do céu, então tem consciência também. Agora, é inegável que abre caminhos para pensar a vida no universo a partir do grão de areia que a gente é. E esse período que a gente está na Terra, que é um período muito curto para se fazer tanta coisa, vivenciar tanta coisa. Colocar isso em música seria muito natural depois da experiência. E ouvindo o disco eu senti muito forte isso. E eu acho que foi muito bom. Deu um resultado impressionante.
E.C. – Vocês estiveram juntos na banda Pó de Ser, vocês gravaram aquele disco A Dança da Canção Incerta, e naquele disco já estava muito presente um tema que agora é recorrente, me parece, que é o do risco, e o de como o artista precisa ser a figura que se arrisca. Então tem essas imagens que o Diego vai trazer, de que “quem não arrisca a sina não resplandece / quem não ama a vida não a merece”. Então como você compreende também essa vida arriscada meio que de um equilibrista que vai sobre o abismo, numa pequena linha, e que ele também expressa em vários momentos desse disco: expressar esse viver em perigo.
K.G. – É legal isso. Porque já estava presente antes. E por conta do risco que ele atravessou, que foi um risco real, um risco de morte, talvez isso tenha ampliado mais. No caso do artista, eu acho que artista sem risco não é artista. Sem risco ele é uma pessoa do entretenimento. Ela está para agradar, ela está para servir. E isso está muito recorrente na música atual – eu tô muito falando mal da música atual, mas é por conta de que eu amar a música e saber que ela é um elemento transformador. Ela não pode estar condicionada ao entretenimento possível. Um artista que arrisca é na verdade um artista. Eu faço um paralelo com a pessoa que vai pra uma praça pública e coloca lá num bambolê, um monte de facas, e aí ele se joga naquilo ali pra uma plateia transeunte, passante, e aí uns torcem pra ele sair ileso, outros torcem pra que ele se foda, né? E aí a pessoa joga dois, três reais ali, e aquilo pra mim é uma arte, essa arte de rua, que é o risco eminente como espetáculo, né? Mas que o artista sabe que aquela é a vida dele. Ele vive aquele risco, inclusive o risco de ninguém pagar nada por isso, né? Que aí é um outro risco, que é o risco da coisa de arriscar, de ironizar, de debochar de certas situações, porque o artista tem que ter um elemento transformador na vida do outro. Ele tem que ser uma luz que acende outras luzes, e não só faça rir, não faça bem. Tem que às vezes incomodar um pouco também, porque tá todo mundo acomodado demais, né? Então, ele é um dos meus heróis nesse lugar.
E.C. – E sobre esse incômodo, tem uma questão que eu não posso deixar de colocar também, que é a MPB, ela tem uma faceta dita maldita, né? São essas figuras dos iconoclássicos – o Itamar Assumpção, o Sérgio Sampaio, o Arrigo Barnabé, e me parece que nesse disco, sobretudo em “Antro”, se manifesta um pouco esse lado do Diego que está rompendo com tudo isso que você está dizendo, tudo que cheira demais a comercialismo, a comodismo. Como que você vê também essa figura de um Mascate maldito, que também aparece no Reviravolta em algum momento?
K.G. – Como diz o Itamar, maldito vírgula, né? Nenhum dos artistas que foram taxados de maldito gosta dessa expressão, porque ela foi criada a partir de uma visão de gravadora que queria vender, escoar, fazer dinheiro. E a música desses artistas não é difícil, como as gravadoras dizem, ela é só única, revolucionária dos seus pontos de vista. Então, para mim, o Diego sempre foi um dos que esteve nesse lugar. Mas eu só não gosto do termo maldito. Porque eu acho que ele reduz, é meio reducionista do ponto de vista de que são grandes artistas, grandes demais para serem malditos.
E.C. – Qual palavra você prefere, Cirilo? Subversivos, transgressores?
K.G. – Transgressores, talvez. Mas artistas que têm personalidade. Porque os moldes industriais moldam personalidades. E aquele que não cabe nesses moldes, tá fora, né? Então, esses artistas que são resistentes, na sua maneira de viver a vida e transformar isso em música, são nossos heróis, na verdade. Seja marginal, seja herói, né?

E.C. – Pra gravação do Reviravolta, o Diego esteve acompanhado por um trio de músicos brasilienses, Tarso, Pepy e Beleza. O que você poderia dizer aí sobre o trabalho desses três músicos como a nova banda de apoio de Diego Mascate, que ficou sendo os Cometas uma referência também ao Bill Halley and His Comets, mas uma referência bem rock and roll. É uma galera que tem uma atuação na cena brasiliense em bandas como Rios Voadores, Almirante Shiva, Transquarto e que também transita por essa psicodelia a la Boogarins e por aí vai, como que você sentiu essa sonoridade do disco com esses músicos ali do DF?
K.G. – Foi o que eu mais gostei na verdade, eu acho que ele acertou em cheio. Deu uma sorte: o universo conspirou a favor de encontrar essas pessoas. Porque os arranjos estão muito sofisticados e muito viscerais ao mesmo tempo, dando corpo pra palavra. É uma sorte que ele teve. E parabéns pra esses meninos aí que entenderam toda a complexidade que é a cabeça do Diego e souberam transformar isso em algo palatável, às vezes, e outras vezes em algo ruidoso, como tem que ser, né? Cada música é um universo E eles entenderam muito isso. Bela parceria.
E.C. – Você de algum modo já tocou nessa questão, quando disse que a palavra é muito preciosa para o Diego, né? Mas eu queria que você tentasse se desenvolver um pouco também na perspectiva de que a cena goiana tem uma entidade, por exemplo, como a Oclam, que vai valorizar a autoralidade, né? O que você vê no Diego como letrista, que é digno de nota, assim, quais são as grandes virtudes dele como uma pessoa que escreve canção autoral num momento onde parece que a letra de música tem poucos destaques na música brasileira contemporânea despontando – e me parece que a letra é uma das grandes virtudes também do trabalho que o Diego faz.
K.G. – É muito, talvez o carro-chefe das coisas. A primeira vez que eu vi o Diego foi no festival do SESI, ele tava com a irmã dele, bem White Stripes, assim, ela tocando bateria sem saber tocar, e uma música de dois acordes, que era “Todo Dia”, né? Era uma epopéeia que contava a história dele quando trabalhava num call center, o inferno que era aquilo, assim, de tá no déjà vu diário, né? Aquilo foi muito, pra mim, assim, explodiu minha cabeça, falei “cara, eu preciso muito ser amigo desse cara”. Não tinha pretensão nenhuma de parceria, mas eu precisava ser amigo dele, porque ele, apesar de determinadas letras muito grandes, tem síntese – e de sentimentos também, né? O Diego consegue condensar coisas, sentimentos e passagens, principalmente ele tem uma virtude que eu não tenho, que é falar de si, do seu cotidiano, das coisas que ele vive, né? E ali serve para outras pessoas que também passam por essas coisas, porque a música é uma luz que vai iluminando todo o planeta. Então, Diego, para mim, como letrista, é uma das minhas referências. Eu tenho ele como eu tenho Carlos Brandão, como eu tenho Aldir Blanc, como eu tenho Arnaldo Antunes. Então, ele é uma figura que, além de tudo, a caneta dele é muito autoral. O jeito que ele escreve é muito único. E isso é difícil de acontecer, né? Chegar num lugar que você sabe que quem escreveu aquilo foi Fulano. Pra mim, ele é meu ídolo mesmo. Aprendo muito com ele.
E.C. – Só pra fechar também, queria que você comentasse um pouco o fato de que esse álbum foi realizado também em virtude de um edital público, da Lei de Incentivo Municipal de Cultura, e vai ser, na real, o primeiro álbum que a Casa de Vidro Ponto de Cultura lança enquanto uma produtora, enquanto uma proponente de um projeto cultural, enquanto um selo, né? Então, o Diego vem também de um processo de fazer dois álbuns dependentes de muita gente, mas sem recurso. Os dois álbuns depois do coágulo foram feitos com muito perrengue, né? E esse álbum, a Casa de Vidro se propôs a estar na linha de frente, conquistamos os 30 mil reais, gravamos com Vasquez no RockLab, né? Então então que você comentasse um pouco sobre esse aspecto que pragmaticamente permite que essa obra venha a existir.
K.G. – Essa pergunta é crucial mesmo. Para o artista independente não existe independência, não existe canal de comunicação, não existe parceria, hoje você bancar uma gravação, além de sair muito caro, essa música não vai te dar resultado financeiro, porque a música independente está num momento ruim perante o mercado, porém muito frutífera no seu lugar de origem. E as leis de incentivo são as mais democráticas possíveis, porque elas vêm para contemplar exatamente aquele artista que necessita fazer o seu trabalho e remunerar todos os profissionais que trabalharam nela. Porque isso é fazer com que a cena continue existindo, com que a cultura tenha voz, expressão, e principalmente cara, né? Porque se a gente não tem verba para fazer um trabalho bem feito, a gente não tem como competir com quem trabalha com milhões. E aí a gente sabe que a monocultura é um processo de detrimento de outras culturas. Então as leis de incentivo, elas vêm justamente para contemplar e deixar com que o segmento da cultura exista nos seus lugares, continue existindo, não tanto quanto resistência, mas como existência mesmo. Então é muito importante que essas leis permaneçam, se tornem permanentes, que não venha outro governo e acabe com tudo, porque sem arte a vida seria um erro.
E.C. – Massa demais, Kleuber, obrigado por contribuir com o documentário do Reviravolta. A gente fez um material muito rico que vai estar disponível para os aficionados que querem mergulhar a fundo. E aí só como desenlace, eu queria que você se dirigisse ao público, como se você estivesse aí na rede social e tal, e fizesse o convite para que as pessoas ouçam a single “Aqui”, que vai ser o aperitivo para o álbum Reviravolta que virá. E também faça esse chamado aí, deixa as pessoas com tesão, que é o significado de teaser a respeito do “Aqui” que está chegando primeiro e do álbum reviravolta que vem depois
K.G. – Certo, mas antes eu queria te dar uma ideia aqui, já que você está promovendo esse álbum e parece que outros estão vindo aí seria a hora da Casa de Vidro se transformar num selo, né? Seria importante para as bandas que frequentam aqui, que a cena esteja se formando tenha a Casa de Vidro como um ponto de distribuição também. Então fica aqui a dica.
E.C. – Estamos trabalhando nesse sentido.
K.G. – Agora a grande reviravolta desse disco vai acontecer no primeiro single que o Diego Mascate e seus Cometas está lançando chamado “Aqui”, que é uma parceria do Diego com a minha pessoa e vai estar disponível nas plataformas digitais a partir de agora. Entre lá e ouça. Aqui.
E.C. – É isso aí. Massa demais, valeu. E agora vamos aos trabalhos da Mundhumano que estão efervescendo também aqui no Ponto de Cultura.
K.G. – Falei muita bobagem, vê se corta 90% aí (risos).
E.C. – Foi bom demais!

CONVITE!
Tá chegando o momento de trazer a público um dos mais importantes trabalhos em que A Casa de Vidro já se envolveu no cenário cultural brazuca: REVIRAVOLTA, álbum de MASCATE & SEUS COMETAS, fomentado pela Lei de Incentivo à Cultura de Goiânia, será lançado neste segundo semestre, inaugurando o selo A Casa de Vidro RECS; a single “Aqui”, uma parceria de Diego e Kleuber Garcez, já vem chegando aí nos streamings todos nos próximos dias, servindo como abre-alas do discaço que em breve lançaremos; gravado por Vazquez no Rocklab, que conta com Diego Mascate (voz, violão, composições) acompanhado pelos Cometas brasilienses Tarso Jones (baixo), Pepy (batera) e Beleza (gtr). Os primeiros shows de lançamento da single e do álbum estão pra começar! Saiba mais:

Mascate & Seus Cometas é a principal atração do Festival Gaffurina em Uruaçu em 5 de Julho! Com letras autorais vibrantes que refletem a visão de Diego Mascate sobre o mundo e suas experiências, a banda traz uma sonoridade única, influenciada pela psicodelia, que agrega profundidade às canções. Formada por Diego de Morais (voz e violão), Tarso Jones (baixo), Carlos Beleza (guitarra) e Pepy Araújo (bateria), a banda promete um show inesquecível. No festival, a banda também lançará o single “Aqui”, faixa que integra o novo disco “Reviravolta”, gravado pelo renomado Gustavo Vazquez no lendário estúdio Rocklab @rocklab. Produção cultural: A Casa de Vidro Ponto de Cultura.
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@xuxu.beleza
@souvocehoje
Publicado em: 03/07/25
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia